Posted by jmgs on May 20, 2009
Recentemente estive envolvido em diferentes conversas, com diferentes pessoas, que se encaminharam para o mesmo tema: a necessidade das Universidades tendencialmente serem autofinanciadas e o “dever” das universidades, perante a sociedade, de gerarem produtos para além de alunos e da publicação de resultados da investigação.
Tenho que dizer para iniciar a discussão que vejo com bons olhos a perspectiva das universidades serem espicaçadas para se abrirem o mundo exterior, procurando parceiros estratégicos. Se as soluções forem encontradas, parcerias na investigação entre indústria ou serviços podem vir a ser favoráveis a todos mesmo a curto prazo. A capacidade de uma universidade conseguir atrair parceiros que lhe financie parcialmente a investigação é claramente não só monetariamente recompensador como pode ser fonte de prestígio e uma forma de colocar no mercado de trabalho os bons alunos que possa formar. Para as empresas, cada vez mais nos dias que correm é necessário uma permanente busca de vantagem competitiva que pode muito bem estar ligada ao desenvolvimento de novos produtos. Infelizmente parece-me que toda esta visão é um pouco utópica, que o nosso tecido empresarial não é suficientemente forte e esclarecido para procurar estas soluções.
Há que dar crédito também a iniciativas tomadas por algumas universidades portuguesas como a criação de incubadoras de empresas ou a criação de gabinetes que permitem um futuro uso de patentes geradas pela investigação interna.
O problema surgirá se o desinvestimento do estado nas intituições de ensino superior for excessivo (e não sabemos se um dia destes o próprio financiamento da investigação através da FCT não começará a ser reduzido) e uma série de situações complicadas poderão surgir. A primeira é que mesmo universidades que formam bons alunos e têm uma razoável produção de conhecimento (embora eventualmente não directamente aplicável a fazer dinheiro) poderão vir a ficar em situação complicada. E não devemos esquecer que é para isto que as universidades servem primeiramente. Imagino que nesta situação se entraria num processo que acho indesejável. Ter as universidades a dar um peso excessivo às suas valências de investigação mobilizadas essencialmente para o que é aplicável num futuro (quase) imediato, esquecendo aquilo que é considerado “basic research”. Este é um erro que penso que deve ser evitado a todo custo. A investigação de cariz de base, muitas vezes feita sem uma agenda de quando publicar a próxima patente, é aquela que não poucas vezes, para não dizer sempre, tem criado as maiores revoluções no conhecimento e por conseguinte os maiores posteriores avanços tecnológicos (só para citar um caso, ver Harry Kroto e nanotubos). Penso que é de fundamental importância não esquecer que este tipo de investigação tem que ser inevitavelmente financiada pelo estado.
… e que o bom senso impere.
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Posted by jmgs on October 10, 2007
Já se encontra à venda o novo livro do Doutor Sebastião Formosinho intitulado “Nos bastidores da ciência: 20 anos depois”, editado pela Imprensa da Universidade de Coimbra. Não me vou alongar mas fica aqui a transcrição da sinopse.

Sinopse
” Se bem que não seja a imagem que emerge da comunicação social, a área científica mais forte no nosso país é a Química — a ciência da vida real, que também é uma «ciência verde», intimamente ligada à transformação radical do estilo de vida que levou a um considerável aumento de esperança de vida da humanidade. A Química não só é o domínio com maior produtividade e maior impacto científico de Portugal, como nele dispomos de seis universidades no top 1% mundial em citações científicas. Independentemente do mérito pessoal de Sebastião Formosinho e seus colaboradores, não admira que seja neste mesmo domínio que estes cientistas, ao terem desenvolvido contra o consenso científico vigente um novo modelo teórico (ISM) para estimar a velocidade das transformações moleculares, possam ter sobrevivido por vinte anos ao confronto científico com um dos paradigmas vigentes que mereceu o Prémio Nobel da Química em 1992, na pessoa do Prof. Rudolph Marcus. E conseguiram “vencer” a Natureza ao verem uma das suas mais arrojadas previsões, feita em 1991, ter sido confirmada e publicada em 2006. Encerraram neste ponto um ciclo no combate científico que travam, apesar de ainda não terem convencido amplamente a comunidade da validade e eficácia das suas ideias. Já surgem, porém, sinais de viragem em algumas “autoridades científicas” da comunidade dos químicos. A razão tem a sua força, mas não basta! Mediante um percurso de facetas autobiográficas, de análise epistemológica e sociológica, de controvérsias científicas de bastidores, do bosquejo das dificuldades de produzir ciência e fazê-la valer nos custos-de-contexto português, o leitor irá percorrer uma história de fortes contrastes e de perspectivas surpreendentes, imprescindível para quem quiser penetrar em «o que é isto de ser um cientista?». No último capítulo o autor presenteia-nos com o seu modo de “ver”, com algum auto-distanciamento, mas com grande humanização, um internamento hospitalar, porque a longevidade vem à mente quando se pensa em qualquer caminho de ribalta.”
source:http://www.imp.uc.pt/livraria/livros/detalhe.php?id=145〈=PT
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Posted by jmgs on May 8, 2007
Vi esta notícia na versão on-line da rádio TSF e, se bem que a notícia não é sobre ciência, acho que é suficientemente importante para ser referida e discutida aqui dado o peso que as intituições universitárias têm presentemente na investigação científica e no emprego científico em Portugal.
O assunto é o seguinte: “O Conselho de Ministros extraordinário de sábado aprovou um projecto-lei que contempla a possibilidade das universidades e dos politécnicos públicos poderem transformar-se em fundações que obedecem às regras do direito privado.“
Outra notícia relacionada: http://www.tsf.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF180147
Para já fica só aqui a notícia. O comentário fica para breve.
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Posted by jmgs on May 8, 2007
A Associação de Bolseiros de Investigação Científica está a promover um abaixo-assinado de apoio à proposta para a alteração do estatuto dos bolseiros de investigação. A proposta pode ser consultada aqui (PDF). No caso do leitor concordar com este documento poderá assinar a petição seguindo este link.
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Posted by jmgs on January 17, 2007
Todos nós já ouvimos falar do “Plano Tecnológico” do actual Governo. Mas não há nada como dar uma vista de olhos por nós próprios ao que está proposto no papel. Assim, deixo aqui um link para quem tiver interesse (e tempo+coragem+paciência) em folhear as 211 páginas deste documento.
Clique aqui para o download do documento.
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Posted by jmgs on January 17, 2007
Logo agora que se dizia que se iria começar a investir na ciência em Portugal, e que o desenvolvimento do país está dependente da ciência e da tecnologia que por cá se faz… há países que começam a chegar à conclusão que o investimento que estão a fazer na ciência não lhes traz os dividendos esperados. Ver os posts
no blog Conta Natura . É interessante fazer uma análise de comparação com cuidado entre as situações da França, India e Portugal. O meu comentário fica para mais tarde.
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Posted by jmgs on December 21, 2006
O Departamento de Química da Universidade de Coimbra disponibilizou na sua página dois textos do Prof. Doutor Sebastião Formosinho sobre a situação actual da investigação científica actual em Portugal. Vale a pena ler.
| Rankings em Ciência nas Universidades Portuguesas |
| Texto retirado do livro do Prof. Sebastião Formosinho “Os Bastidores da Ciência 20 anos depois” (no prelo) |
| <Download> | <tamanho: 64 Kb> |
| O desempenho científico da química portuguesa |
| Documento (até há pouco tempo disponível no site da SPQ) onde o autor realça o papel actual da Química como ciência de maior relevo em Portugal por possuir 5 universidades (IST/UTL, Coimbra, Nova de Lisboa, Aveiro e Porto, ocupando a primeira posição em Coimbra, Nova de Lisboa e Aveiro e a segunda nas duas restantes) no top 1% (mundial). Este <i>top</i> 1% singinfica, exemplificando com a Química, que das pouco mais de 76000 instituições a nível mundial, a base do ESI regista as 762 instituições académicas com melhores desempenho em termos do número de citações: o topo 1%. |
| <Download> | <tamanho: 44 Kb> |
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